A Medicina Paliativa tem como foco controlar os sintomas e potencializar a qualidade de vida do paciente, proporcionando um cuidado contínuo. Estes princípios estão em uma das citações de Cecily Saunders, uma das fundadoras deste tipo de atendimento: “Você é importante porque você é único. Você será importante para nós até o último dia da sua vida, e nós faremos tudo o que pudermos, não apenas para que você morra em paz, mas para que você ‘viva’ até o momento da sua morte”.
O objetivo complexo de aliviar o sofrimento não pode ser unidimensional e sim incluir as quatro dimensões do ser humano:
- Física (dor, dispnéia, tosse, constipação, delirium, fraqueza),
- Emocional (ansiedade, depressão),
- Social (negócios inacabados, problemas financeiros, filhos)
- Espiritual (culpa, baixa auto-estima).
Critérios de inclusão
Pacientes com doença grave em progressão, fora de possibilidade de cura, com expectativa de vida menor que 6 meses.
Sinais clínicos de progressão da doença
a) Múltiplas hospitalizações, visitas ao PA, ou aumento do uso de serviços de saúde.
b) Visitas médicas seriadas, com exames laboratoriais documentando progressão de doença.
c) Progressiva deterioração funcional decorrente da progressão da doença de base.
Acompanhamento clínico através da Escala de Performance Status
Escala de Karnofsky (Anexo A) foi criada em 1940 por dois médicos americanos, na tentativa de mensurar os aspectos subjetivos do tratamento de pacientes com câncer. A escala aborda 11 diferentes fases, que vão da pessoa saudável à morte.
Através desta escala será realizada uma programação especifica para cada paciente inserido ao programa
A Medicina de Família em cuidados paliativos
1. Atendimento Domiciliar
Aos pacientes com incapacidade de procurar atendimento ambulatorial (Perfomance Status abaixo de 40) receberão acompanhamento domiciliar.
As visitas em cuidados paliativos serão realizadas semanalmente / quinzenalmente, com horário e data previamente programados entre o médico e a família. Na primeira visita de inclusão será realizada uma abordagem geral para conhecimento do histórico clinico, oncológico e familiar, sendo sugerida a participação de todos os familiares envolvidos no cuidado do paciente.
2. Atendimento Ambulatorial
Atendimento ambulatorial aos pacientes em cuidados paliativos com performance Status acima de 40.
Consultas realizadas com freqüência determinada pela capacidade funcional.
Tempo estimado de consulta: 30 minutos.
3. Orientação telefônica 24 horas
Através do telefone celular, os pacientes poderão entrar em contato via telefone com o seu médico
4. Prontuário Eletrônico Específico em cuidados paliativos
Software contendo prontuário eletrônico médico e multidisciplinar, atendimento de urgências, ligações telefônicas e programação de visitas e consultas.
Acesso realizado via Internet.
5. Abordagem oncológica, confirmação de patologia intratável, possibilidades terapêuticas oncológicas já realizadas anteriormente – Interface com o oncologista do paciente.
6. Abordagem clinica: sintomas clínicos que incomodam o paciente, aplicação da escala da dor (numérica ou analógica, conforme características do paciente). Identificação e controle de sintomas e de efeitos colaterais de medicações.
7. Abordagem diagnóstica familiar: identificação do cuidador, dinâmica familiar, fatores de preocupação familiar, cuidado do paciente e da família.
Atendimento multidisciplinar domiciliar:
A. Suporte equipe multidisciplinar
- Psicológico,
- Enfermagem especializada,
- Nutricional,
- Espiritual (respeitando a religião de cada família).
B. Alguns procedimentos realizados no domicilio:
- Curativos de feridas e lesão tumoral,
- Curativo em úlceras de pressão,
- Passagem de sonda nasoenteral,
- Passagem de sonda vesical de demora e alivio,
- Acompanhamento de oxigênioterapia domiciliar,
- Lavagem intestinal,
- Atestato de óbito no domicilio.
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